Escola Brasileira de Estrutura Eletrônica realiza sua 20ª edição no CNPEM
Evento tradicional da Sociedade Brasileira de Física reuniu estudantes e pesquisadores de todo o país em Campinas (SP), com programação que foi dos fundamentos da Teoria do Funcional da Densidade à Inteligência Artificial e à Computação Quântica
Depois de percorrer diferentes regiões do país ao longo de quase quatro décadas, a Escola Brasileira de Estrutura Eletrônica (EBEE) chegou à sua 20ª edição em um cenário especial: o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), onde está instalado o Sirius, a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil. Realizada pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), como parte das Escolas de Física Jorge André Swieca, a EBEE conta com o apoio do INCT-Materials Informatics, do CNPEM, da FAPESP, do INCT-Materials by Design e do Cemol.
A história da Escola começou em Brasília, em 1987, o que significa que o evento completará 40 anos em 2027. De lá para cá, a EBEE se consolidou como um dos encontros mais importantes da física brasileira, dedicado à formação de estudantes de graduação e pós-graduação nas áreas de Física, Química, Ciência de Materiais e afins.
“Eu organizei a primeira Escola há quase 40 anos, com os professores Sylvio Canuto e Davi Vianna. Foi em Brasília. É uma Escola de muito sucesso”, lembra Adalberto Fazzio, coordenador da EBEE e do INCT-Materials Informatics.
Quem acompanhou o nascimento da Escola vê com satisfação a evolução da área e das gerações de cientistas formadas ao longo dessas 20 edições. “Nós sentíamos a necessidade de termos uma Escola porque víamos alguns desenvolvimentos espalhados ao longo do país. A primeira Escola foi extraordinária, agregou muita gente. Quando comparamos o que aconteceu naquela época com o que acontece hoje, vemos um desenvolvimento extraordinário da área de estrutura eletrônica e do desenvolvimento da física”, avalia Sylvio Canuto, presidente da Sociedade Brasileira de Física.
Homenagem na abertura
A abertura do evento foi conduzida pelo diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque, que recebeu uma homenagem de ex-alunos orientados por ele e de colegas pesquisadores. Roque também apresentou aos participantes a palestra “A Ciência no Sirius”.
“Fico feliz de receber esta Escola aqui e de ter sido homenageado por pessoas que sempre admirei. Estar no CNPEM, com o Sirius como um equipamento de fronteira, pode trazer perspectivas para os jovens que estão assistindo, que vão ver que hoje o Brasil tem um equipamento capaz de fazer experimentos de fronteira, competitivos mundialmente, e que poderão fazer os cálculos em cima desses experimentos, algo que, em 1987, era mais difícil”, afirmou o diretor-geral do CNPEM.
Dos fundamentos à fronteira da pesquisa
Ao longo de três dias, a programação reuniu minicursos, palestras, tutoriais e sessões de pôsteres, cobrindo desde os fundamentos teóricos até as aplicações mais avançadas. “Tivemos palestras desde os fundamentos básicos, como os minicursos de DFT, até a fronteira da pesquisa: quem está trabalhando com magnetismo, com identificação de moléculas orgânicas. É um leque bom e diversificado de conteúdos para os participantes”, destaca Felipe Lima, organizador da XX EBEE.
Para Fazzio, o mais interessante é acompanhar a incorporação de ferramentas que não existiam nas primeiras Escolas. “É uma área em que o Brasil tem muito sucesso, a de estrutura eletrônica de materiais do ponto de vista teórico. Agora, entraram componentes que não tínhamos nas primeiras Escolas, como Inteligência Artificial e Computação Quântica, para resolver e entender os materiais”, explica.
Auditório cheio e novas gerações
Um dado chamou a atenção dos organizadores: a presença expressiva de alunos de graduação, que lotaram o auditório durante todo o encontro. “O que achei interessante nesta edição foi o número de alunos de graduação em relação à pós-graduação e a participação de todos — a todo momento, auditório cheio”, comemora Felipe Lima.
Mais do que capacitação técnica, a Escola cumpre um papel estratégico: integrar a comunidade científica brasileira, estimular colaborações entre instituições e descentralizar o conhecimento, com edições realizadas em diferentes regiões do país.
“Essa Escola é tradicional da Sociedade Brasileira de Física. Se você olha para esta área da ciência no Brasil, vai notar que é muito produtiva. E esta Escola foi fundamental para este desenvolvimento”, ressalta Angela Klautau, docente da UFPA e membro do comitê-gestor do INCT-Materials Informatics.
O Brasil já é destaque internacional na área de estrutura eletrônica. Para o futuro, a expectativa é de ainda mais avanços, impulsionados pela Inteligência Artificial, pela infraestrutura de fronteira representada pelo Sirius e pelas novas gerações de cientistas formadas pela Escola.
Confira a reportagem em vídeo sobre o evento: